Seria tudo tão mais fácil se tivéssemos um manual de instruções!
· Como lidar com um marido que não me escuta?
· Como lidar com minha mulher, que não para de falar?
· Como fazer com que aquele colaborador faça seu trabalho de boa vontade?
· Como recusar uma tarefa depois do expediente, sem ser mal visto pelo líder?
· Como...
· Como...
· Como...
Quando se trata de relacionamentos interpessoais, temos todas as dúvidas do mundo. Gostaríamos de ter uma varinha de condão, ou quem sabe um gênio da lâmpada para nos transmitir fórmulas secretas, trazer soluções prontas, oferecer resultados garantidos. Tudo já meio pronto, devidamente testado na “vida real”. Nada muito difícil, nem muito dolorido.
“Vida real” – bom falar nisso! É aquela vida que todos conhecemos muito bem, que nos conduz aos trancos, barrancos e solavancos. Tão diferente daquele roteiro bem azeitado dos filmes, novelas, contos de fada e... manuais!
A tal “vida real” bem que podia ser simples, como uma receita de bolo caseiro. Bastaria reunir os ingredientes pedidos, nas medidas corretas, misturar tudo na sequência certa, levar ao forno pelo tempo sugerido e pronto! Com um tanto de cuidado, um bocadinho de sorte e um pouco de experiência, seriam grandes as chances de tudo dar certo, todas as vezes que seguíssemos uma boa receita.
Outras coisas já são um pouco mais complicadas, mas ainda assim seguem fórmulas. Mandar um foguete à Lua, por exemplo. Claro que é uma tarefa colossal, que depende de um nível muito mais elevado de competência e especialização. Entretanto, o grau de certeza quanto ao resultado é bastante alto, principalmente se a agência espacial já tiver adquirido maior experiência com o lançamento de vários foguetes.
Mas criar um filho é uma questão complexa. Fórmulas, nesse caso, têm aplicação muito limitada, porque a experiência de criar um filho não garante sucesso com a criação do próximo. Que o diga quem tem cinco filhos! Os quatro primeiros certamente não foram garantia de sucesso total na educação do quinto. Cada criança é única e por isso os resultados nunca podem ser previstos.
Pois é, a “vida real” é complexa. É o palco onde se desenrolam cenas inéditas, diálogos novos, relacionamentos imprevisíveis. Se, por um lado, viver sem garantias dá um frio na barriga, por outro lado é aí mesmo que a vida se faz interessante. Porque não temos receitas, mas temos ferramentas!
Pensando bem, querer que o ser humano seja um mero aplicador de fórmulas é nivelar muito por baixo. Podemos bem mais do que isso. Somos muito mais do que isso. Somos criativos, inteligentes, amorosos, cheios de recurso e engenho. Capazes de inventar, fluir, dançar, inovar o ser e o estar, cada um consigo, cada um com todos.
No fundo, no fundo, todos sabemos tudo que importa. Só nos falta pôr em prática, começar. Para cultivar relacionamentos interpessoais, vamos precisar de material e mão de obra. Neste blog, nós oferecemos algumas reflexões. Você entra com a abertura, a curiosidade e a disposição para experimentar outras formas de cultivar relacionamentos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário